Ano 2025
“Dores e Delícias”: experiências vividas por “mulheres-mães solo” na perspectiva da psicologia psicanalítica concreta
Autora: Bruna Correia Silva Viturino
Orientadora: Tania Maria José Aiello Vaisberg
Resumo:
O presente estudo tem como objetivo investigar experiências vividas por “mulheres-mães solo” brasileiras. Justifica-se como pesquisa psicológica que pode tanto gerar conhecimentos relevantes para a prática clínica, no atendimento de pessoas que vivem nessa situação específica, como oferecer subsídios para debates no âmbito dos movimentos sociais. O estudo organiza-se como pesquisa qualitativa com método investigativo da psicanálise, operacionalizado à luz da psicologia psicanalítica concreta, abordando um vídeo, disponibilizado pela plataforma Youtube, que tematiza manifestamente a questão em investigação por meio de depoimentos de três mulheres. A investigação ocorreu em três etapas que consistem na produção, no registro e na interpretação do material de pesquisa. O registro do material de pesquisa foi realizado por meio de narrativas transferenciais que descrevem tanto o encontro com o conteúdo manifesto do vídeo como os impactos afetivo-emocionais experienciados durante e após a exposição aos depoimentos. A interpretação psicanalítica das narrativas transferenciais resultou na criação/encontro de quatro “campos de sentido afetivo emocional”: “Crime e Castigo”, “Sem companhia masculina”, “Dores e Delícias” e “Sintonia com o futuro”. O quadro geral aponta que a experiência vivida pelas “mulheres-mães solo”, estudadas na presente pesquisa, é marcada por sofrimentos, associados à crença social de que a maternidade não conjugal é uma irregularidade de sua responsabilidade, mas que também contém dimensões emocionalmente gratificantes associadas ao convívio e ao vínculo com o filho. Além disso, o quadro também indica que elas acreditam que a condição “solo” seria vivida com menor dificuldade se a sociedade se transformasse, via educação, tornando-se mais igualitária e sintonizada com valores de inclusão e solidariedade. Como conclusão, podemos afirmar que as mulheres estudadas apresentam um alto nível de conscientização da realidade social e os desafios que a “maternidade solo” lhes impõem, mas mostram-se capazes de esperançar a superação de tais adversidades.
Palavras-chave: maternidade, “mãe solo”, divisão sexual do trabalho, sofrimentos sociais
Viturino, B. C. S. (2025) “Dores e Delícias”: Experiências Vividas por “Mulheres-mães solo” na perspectiva da psicologia psicanalítica concreta. (Dissertação de Mestrado). Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo
“Infortúnio e Esperança” Maternidade e Cuidado Ampliado na Perspectiva da Psicologia Psicanalítica Concreta
Autor: Elaine Cristina Corrêa
Orientadora: Tania Maria José Aiello Vaisberg
Resumo
A presente pesquisa tem como objetivo investigar a experiência vivida por mulheres-mães de filhos que foram medicamente diagnosticados como necessitados de cuidados diferenciados, contínuos e duradouros, apresentando condições atípicas, que se desviam da perspectiva de aquisição de níveis cada vez mais próximos da autonomia adulta. Justifica-se na medida em que as expectativas sociais, nutridas por imaginários coletivos, organizam-se ao redor da crença de que as mães biológicas são as melhores cuidadoras dos filhos e, especificamente, dos filhos com desenvolvimentos atípicos, o que conduz a uma organização da vida cotidiana que sobrecarrega as mulheres-mães, provocando sofrimentos sociais importantes. A pesquisa organiza-se a partir do uso do método investigativo da psicanálise, operacionalizado à luz da psicologia psicanalítica concreta, com vistas à abordagem de um vídeo, que contém depoimentos de 4 mães de crianças diagnosticadas como autistas, segundo a lógica que preside os estudos de caso. O material foi registrado por meio de narrativas transferenciais, que reportam tanto o conteúdo manifesto como os impactos afetivo-emocionais que os depoimentos provocam. A interpretação do material aconteceu em duas etapas: por meio de análise temática do conteúdo manifesto e como interpretação psicanalítica guiada pelas recomendações de Fábio Herrmann. Foram propostos interpretativamente quatro campos intersubjetivos de sentido afetivo-emocional: “Cálice amargo”, “O que foi que eu fiz?”, “Quem nos quer perto?” e “Esperança de sentido”, bem como um supra-campo denominado “Quando o infortúnio nos bate à porta” . O quadro geral permite afirmar que a experiência vivida pelas mulheres-mães de filhos, que necessitam de cuidado ampliado, é atravessada pelos contextos macrossociais que envolvem o patriarcado capitalista e a divisão sexual do trabalho, constituindo uma experiência de sofrimento e solidão. Contudo, o campo “Esperança de sentido”, apontou para a presença do que Winnicott denomina capacidade de “crer em”, que favorece a continuidade de um viver no qual o cuidado ampliado ocupa posição nuclear.
Palavras-chave: Maternidade. Cuidado Infantil. Desenvolvimento Atípico. Autismo. Sofrimentos Sociais.
Corrêa, E. C. (2025). “Infortúnio e Esperança” – Maternidade e Cuidado Ampliado na Perspectiva da Psicologia Psicanalítica Concreta (Dissertação de Mestrado). Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.
“O Dentro e o Fora de Casa”: Sonho (Im)Possível de Mulheres-Mães Trabalhadoras Casadas
Autor: Paula Fuks-Neumark
Orientadora: Tania Maria José Aiello Vaisberg
Resumo:
Esta pesquisa tem como objetivo investigar imaginários coletivos de e sobre “mulheres-mães trabalhadoras casadas” que acumulam trabalho doméstico e atividades remuneradas no contexto macrossocial do patriarcado capitalista. Justifica-se por produzir conhecimentos sobre sofrimentos sociais clinicamente úteis, em vertentes psicoterapêuticas e psicoprofiláticas, além de fornecer subsídios para debates no âmbito de movimentos sociais. Organiza-se como pesquisa qualitativa articulada ao redor do uso do método investigativo da psicanálise, operacionalizado à luz da psicologia psicanalítica concreta. Parte da abordagem de um vídeo de animação, disponível no YouTube, selecionado conforme a lógica diretiva dos estudos de caso, por tematizar manifestadamente, a questão que aqui se investiga. Após a exposição ao vídeo, foi elaborada uma “narrativa transferencial representativa” que, interpretada conforme os passos metodológicos sugeridos por Herrmann, sustentou a proposição de quatro “campos intersubjetivos de sentido afetivo-emocional”: “Mulher-Éter”, “Oásis e Deserto”, “Engrenagem Visível e Engrenagem Fantasma”e “Sonho (Im)possível?”. Interlocuções reflexivas, estabelecidas com vários autores, indicam que as mulheres têm vivido de modo submisso a imaginários conservadores, internalizando a opressão como natural e necessária. Por outro lado, pela via da imaginação, pode-se conceber outros modos de convivência que, baseados numa visão ampliada do holding winnicottiano, possam deixar de ser hierárquicos e pautar-se em reconhecimento e solidariedade recíproca, beneficiando o amadurecimento de todos os integrantes da família.
Palavras-chave: imaginários coletivos, mulheres-mães, divisão sexual do trabalho, sofrimento social, psicologia psicanalítica concreta.
Ano 2021
Lutando para existir: experiência vivida e sofrimento social de pessoas transgêneras
Autor: Gustavo Renan de Almeida da Silva
Orientadora: Tania Maria José Aiello Vaisberg
Resumo:
Este trabalho tem como objetivo investigar a experiência vivida de pessoas transgêneras na perspectiva da psicologia psicanalítica concreta. Justifica-se na medida em que formações sociais que se organizam de modo sexista geram sofrimentos que atingem tanto os que se definem em termos de cisheteronormatividade como aqueles que divergem dessas normas, entre os quais se incluem as pessoas transgêneras. Organiza-se metodologicamente como pesquisa qualitativa ao redor do método psicanalítico, operacionalizado em termos de procedimentos investigativos de produção, registro e interpretação do material pesquisado, abordando 13 vídeos do YouTube, nos quais pessoas que se identificam como transgêneras relatam suas experiências de vida. O conjunto dessas manifestações foi transcrito e considerado em duas etapas, focalizando as dramáticas do viver, presentes no campo da consciência dos próprios youtubers, e os campos de sentido afetivo-emocional. Foram identificadas as seguintes dramáticas no viver das pessoas trans: dificuldades nas relações familiares, nas relações amorosas, na escola, no trabalho, na vida cotidiana, no sistema de saúde, na segurança pessoal, na relação com o próprio corpo e ligadas a sensações de falsidade pessoal. Foram interpretativamente propostos dois campos de sentido afetivo-emocional: “Perverso e degenerado” e “Ser ou não ser verdadeiro”. O primeiro é aquele que se organiza ao redor da crença/fantasia de que a recusa de se conformar ao “sexo biológico” corresponde a uma forma de anormalidade moral, livremente escolhida pela pessoa. O segundo é aquele que se organiza ao redor da crença/fantasia de que é importante ser fiel ao próprio sentir. O quadro geral indica um entrechoque de tendências reducionistas, que pensam o humano como mero organismo biológico, com outras que concebem que a sexualidade, como fenômeno suficientemente dissociado da função reprodutiva, corresponde a uma área da experiência passível de ser vivida de modo criativo, autêntico e alinhado a uma ética radicalmente humanista.
Palavras-chave: gênero, transgênero, sofrimento social, método psicanalítico,
Silva, Gustavo Renan de Almeida da. (2021). Lutando para existir: experiência vivida e sofrimento social de pessoas transgêneras (Mestrado em Psicologia). Centro de Ciências da Vida, Pontifícia Universidade Católica de Campinas.164p.